segunda-feira, 30 de março de 2015

Sobre Aço e Terra

1 - Me chame de Yuna. Sou uma fazendeira com orgulho, assim como todas as gerações de minha família antes de mim. 

Há séculos, sobrevivemos nessas terras, com pouco ou nada para nos sustentar. Nossas terras nunca tiveram nada de especial, fora as pessoas trabalhando nela.

E justo agora, que as plantações começam a nos dar algum lucro, temos a Metrópole, uma gigantesca cidade cheia de indústrias, tentando comprar nossas terras e ameaçando invadir.

Querem tirar de nós a única coisa que temos.




Por algum motivo, eles têm comprado grandes quantidades de taira, uma planta muito difícil de cultivar. Apenas eu e meu pai sabíamos como cultivá-las propriamente. Já ofereceram fortunas pelo segredo, mas meu pai nunca confiou na Metrópole. “Eles não pretendem pagar um único centavo a fazendeiros como nós. Acredite em mim”.

Meu pai foi membro da Milícia Carmesim, que se formou quando a Metrópole tentou invadir. As famílias da região defenderam essas terras com unhas e dentes. Meu pai morreu no combate, me deixando encarregada de minha mãe e meus irmãos.

Às vezes, tenho orgulho dele, de minha terra e de minha família.

Às vezes, sinto sua falta e acho que sua morte foi em vão.



2 - Todos os dias eram iguais, exceto por aquele. Aquele foi o dia em que o velho Tar Son, um mercador de bugingangas da Metrópole, parou com uma máquina voadora em nosso quintal.

Que extraordinário!

Ele me disse que havia pouco tempo – que a Metrópole estava atrás de mim e que eu precisava ir com ele. Meus irmãos e eu estranhamos. Quis saber o porquê, intrigada.


Ele disse que não havia tempo para explicações mais longas. “Venha comigo e depois eu lhe explico, jovem Yuna!”, disse, esbaforido.

Extraordinário... mas muito estranho.

Mostro hesitação e recuso gentilmente. Tar Son insiste, me desafiando: “Seu pai viria comigo, jovem Yuna! Você não é filha dele?”

domingo, 15 de março de 2015

Os Estraga-Festas




A Marinha Terrestre era famosa por disponibilizar relíquias de guerra como o TAS Leviathan para eventos de gala como aquele. Talvez houvesse algo de irônico em transformar um antigo porta-aviões das Guerras Coloniais, construído para intimidar e esmagar forças de colônias rebeldes humanas, em um ambiente luxuoso e opulento para as classes ricas. A tecnologia espacial havia reduzido significantemente o tamanho das naves nos últimos quarenta anos – ao ponto de enormes leviatãs como aqueles se tornarem não só ultrapassados como também divertidamente extravagantes – havia espaço excessivo a ponto de comportar um evento de larga escala sem a menor complicação. Com as devidas reformas, um salão de festas se fez viável. Com o devido capricho, podiam jurar que aquela nave de combate jamais teria passado perto de um único torpedo, e não conhecia nada senão o agradável ambiente festivo que ali havia se instalado.
Enquanto Weinachsoratorium, de um compositor terrestre chamado Bach, ecoava pelos salões, os ricaços das colônias de luxo de Strauss-Avant conversavam sobre frivolidades e negócios. Evidentemente, nenhuma reunião era exclusivamente social quando se passava dos dois bilhões de unitas nas contas bancárias. Não, ali estavam senadores, generais, donos de impérios comerciais nas áreas de comunicação, transporte, alimentação, abastecimento, tecnologia em geral e vários outros setores vitais para que a Aliança Terrestre continuasse a se expandir pelo setor da galáxia sem que fosse contestada a supremacia humana.
Alguns bailavam pelo salão, tão graciosamente quando as músicas escolhidas para que a orquestra tocasse. Alguns usavam máscaras, num divertido jogo das altas classes para aumentar o nível de socialização – dançava-se com a pessoa de máscara, tentando advinhar quem ela era ou com quem estava. A maioria eram acompanhantes de mulheres e homens poderosos. Desde o bibelô da senadora Presst até as discretas prostitutas de luxo de Don Marutianni, a quantidade de segredos naquela festa era tão grande que se tornava banal. Se alguém comentasse ou tentasse prejudicar outros com esses segredos, estaria expondo os seus próprios. E quem, dentre aqueles convidados tão ricos e poderosos, era realmente santo?
Haviam belíssimas mulheres ali. Modelos e atrizes famosas, cujos sorrisos, momentâneos o quanto fossem, poderiam ficar marcados na mente das pessoas pelo resto da vida. Haviam mulheres de diversas etnias e padrões de beleza diferente, já que a diversidade, em si, era um requerimento de beleza para aquele século. Haviam negras da Terra, representando o mais alto padrão estético: cabelos afro, lábios carnudos, rostos redondos, de olhos grandes e tão cheios de vida. Haviam lindas marcianas de olhos vermelhos e a pele tão clara quanto os cabelos, provavelmente filhas de ricos mineiradores solares do planeta vermelho. Haviam izarianas com as peles de uma tonalidade inexistente na Terra, carecas e adornadas com diamantes izarianos, tão comuns na colônia que desvalorizaram diamantes até o nível de bijouterias de valor médio. Haviam actrianas que revolucionavam a moda feminina ao criar tonalidades de pigmentação para a pele – verde-azulada, púrpura, lavanda e várias outras cores de pele, combinadas com cabelos de cores complementares (ou não-complementares, quando se queria rebelar contra as convenções sociais). As mais ricas acompanhantes exibiam pinturas clássicas na pigmentação dos olhos, atiçando a curiosidade de muitos, que queriam olhá-la nos olhos. No final, havia pouco espaço para a beleza que não fosse trabalhada exoticamente.
Mas havia ela.
Do outro lado da sala, com um vestido preto intrigante que parecia desafiar a imaginação de que estava cansado de diversidade. Uma mulher loura, de penetrantes olhos verdes e olhar ferino – um padrão de beleza tão ultrapassado para aquela época quanto gordinhas renascentistas eram para o século XXI. Segurava um drink e conversava com um senador sobre reformas nas leis de educação com tanta naturalidade quanto receitas de bolo.
Inteligente, liberal, loura, aparentemente sem implantes, maquiagem simples convencional, forma física perfeita de quem se exercitava regularmente, sem adornos chamativos e aparentemente sem uma companhia.
Todos atributos que compunham a imagem de mulher perfeita para Justice Jones. Justice Jones era um homem às antigas, não gostava de adornos, implantes ou pigmentações de pele ou de olho – de seu ponto de vista, eram coisas que atrapalhavam a beleza real de uma mulher. Em toda aquela festa, que mais parecia uma coleção de beldades, a única mulher que não parecia chamar a atenção de ninguém havia chamado o olhar de Justice Jones.
Porém, Justice Jones era também o chefe da segurança pessoal de Don Marutianni, e levava seu trabalho muito a sério.

“Loura estonteante às suas oito, Kunst”, pensou ele em seu whisper, o intercomunicador mental que o ligava à seu subordinado, um austríaco de dois metros e oito de altura.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Infinimundos - Volume 1

Reunindo 10 contos ilustrados, Infinimundos - Volume 1 é uma imperdível aventura por mundos, épocas e mentes diferentes!

Adquira já pelo Clube de Autores!


Título : Infinimundos #1
Editora : Clube de Autores
Autor : Eduardo Prota
Páginas : 64
Ano : 2015

Sinopse:

Este livro contém 10 contos de ficção e fantasia, cada um enfocando o ser humano inserido em um ambiente fantástico - mas sempre com o enfoque na essência humana.

A Marcha dos Sioran – Uma estranha espécie alienígena cujo ciclo de vida, embora dure menos de um dia, lembra muito a vida de um ser humano.

Ratos da Superfície – Um detetive elfo se encontra com um informante anão para descobrir a verdade sobre uma morte. Porém, no mundo da superfície, e a verdade é algo difícil. Nada de magia.

O Festival das Máscaras – Uma curiosa nação asiática fictícia realizava um tradicional festival todos os anos, onde todos assumiam personalidades diferentes.

Sobre Benedito Quaresma – Um escritor em um país muito familiar não consegue ser compreendido e é tido como alienado - até que ele cria a obra de fantasia que consegue isolá-lo de vez de um mundo tão fechado.

Romeu e Julieta – Os dois últimos humanos, um homem e uma mulher, discutem sobrevivência e Shakespeare em pleno apocalipse zumbi - e a poucos instantes da luta final.

Yessica – Um garoto aposta com seu amigo que consegue beijar uma linda mulher sobrenatural que, segundo ele, sempre aparece ali.

O Jovem e o Irmão Lobo – Um monge se abriga na caverna com um lobo sanguinário que aterroriza uma cidade e desafia sua lógica sem aparentar ter medo de morrer.

Plini e a Muralha – Um garoto curioso se junta a uma multidão de protestantes. De repente, surge um coronel da polícia chamado Muralha para enfrentá-los.

As Três Montanhas – Um jovem aventureiro se dirige à três montanhas falantes ancestrais que o enviam em diferentes missões - porém, ele ainda há de descobrir qual é a maior delas.

Sweet Dreams Corporation - Um super-empresário de uma empresa especializada em literalmente construir sonhos de seus clientes viaja até o mundo dos sonhos para resolver uma crise emergencial.

FACEBOOK: https://www.facebook.com/infinimundos

As Ibyranas - Tempestade & Fortaleza #2

O segundo livro de dois, Tempestade & Fortaleza continua a história do ponto anterior - agora passada inteiramente no quilombo de Acualtune, que enfrenta seu maior desafio.

Adquira já pelo Clube de Autores!


Título : As Ibyranas - Tempestade & Fortaleza #2
Editora : Clube de Autores
Autor : Eduardo Prota
Páginas : 438
Ano : 2014

Sinopse:

Finalmente, Helena, Anna e Aurora se reencontram no grande Quilombo de Acualtune, onde o Grande Chefe Ganamabi, já debilitado, ainda governa. As três, ainda buscando respostas, são surpreendidas com sua importância no futuro daquela terra.

A Cairé, o festival da Lua Cheia, ocorre, marcando o encontro de todos os grandes líderes daquela região das Ibyranas, sejam eles humanos ou angás. Todos são bem-vindos, incluindo Andira, o filho de Maculelê, Apeuê e seus sacis, Dom Rafael e seus potestos.

Porém, nem tudo é alegria.

Na costa, os dútios continuam a invadir a capitania, enquanto Dom Martim, em Éreba, tenta reverter a situação do Reino a seu favor. Ele acaba se deparando com uma trama misteriosa que teria levado ao coma do Rei e, ao investigá-la, coloca sua própria vida em risco.

Caorani, atormentado por sua traição, acaba por perder amizades e, por fim, mergulha na ira, encontrando aliados e decidindo de vez varrer os invasores da terra: sejam eles brancos ou negros.

Assim, Acualtune se prepara para a maior guerra de sua geração: aquela travada contra a própria espécie que ajudou o quilombo a se estabelecer.

A tempestade está chegando... e é possível que a fortaleza não resista dessa vez.


SKOOB: http://www.skoob.com.br/livro/434912ED492767

FACEBOOK: https://www.facebook.com/ibyranas

VÍDEO-TRAILER (MINI-CONTO): https://www.youtube.com/watch?v=Z0aIBYgus0s

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RESENHAS:

Blog Infinitos Livros:
http://www.infinitoslivros.com/2015/01/resenha-as-ibyranas-tempestade-e.html

As Ibyranas - Senhores da Terra #1

O primeiro livro de dois, Senhores da Terra insere o leitor no mundo das Ibyranas, uma terra inexplorada baseada no Brasil colonial.

Adquira já pelo Clube de Autores!




Nota no Skoob: 4,8/5

O primeiro livro de dois, Senhores da Terra insere o leitor no mundo das Ibyranas, uma terra inexplorada baseada no Brasil colonial.

Título : As Ibyranas - Senhores da Terra #1
Editora : Clube de Autores
Autor : Eduardo Prota
Páginas : 318
Ano : 2014
Sinopse:

Uma terra. Muitos corações.
Assim são as Ibyranas, terras distantes colonizadas pelo Reino de Calus, que, imerso nos próprios problemas, as trata como uma posse e nada mais. Os ibyranos se veem constantemente assolados por fugas de negros de seus engenhos e ataques de tribos nativas às suas terras, tornando cada vez mais difícil a vida dos donatários, que, isolados e esquecidos, procuram resolver suas questões por conta própria.

Porém, nem mesmo os senhores das capitanias, que defendem os interesses de Calus na região, poderiam prever que, naquela terra, havia muito mais do que política: os angás, antigas entidades que já habitavam as Ibyranas, não têm mais paciência com os abusos dos homens.

Uma única fazenda é atacada e um donatário é capturado. Também sua filha e suas duas melhores amigas são levadas, e ninguém sabe ao certo quem foi o responsável ou o porquê.

Cabe agora a alguns poucos amigos resgatá-los entre esses, um casal de escravos que conhece a terra como ninguém, um capataz misterioso, um menino imortal e até mesmo o próprio filho do Rei de Calus. Enveredando-se pelas Ibyranas, descobrem a real natureza daquela terra, que, de tão extensa, guarda mistérios inimagináveis.

Alguns desses mistérios sorriem para eles e os chamam de amigos. Já outros têm seus próprios interesses e não sorriem para ninguém. . .


SKOOB: http://www.skoob.com.br/livro/408593

FACEBOOK: https://www.facebook.com/ibyranas

VÍDEO-TRAILER (MINI-CONTO): https://www.youtube.com/watch?v=Z0aIBYgus0s

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RESENHAS:

Blog 19 Primaveras:
http://www.dezenoveprimaveras.com.br/2014/11/dia-03-semana-as-ibyranas-resenha.html
Vídeo-resenha:
https://www.youtube.com/watch?v=nz5BygQvH-c

Blog Estante Jovem:
http://www.estantejovem.com.br/2014/11/resenha-as-ibyranas.html

Blog Desbrava(dores) de Livros:
http://desbravadoresdelivros.blogspot.com.br/2014/11/resenha-as-ibyranas.html

Blog Infinitos Livros:
http://www.infinitoslivros.com/2014/11/resenha-as-ibyranas-eduardo-prota.html

Blog Resenhando a Arte:
http://resenhandoaarte.blogspot.com.br/2015/01/nova-parceria-as-ibyranas-senhores-da.html

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Mundo de Battlefield


Respawn de novo.
Tento recon dessa vez. Engenheiro cansou um pouco.
Recon. A classe retranqueira – ficar horas sentado em um lugar que você acha que é bom, dar alguns tiros, esquecer de mudar de posição e PAN – tomar uma facada pelas costas enquanto seu olhar estava concentrado no scope.
Na base, alguém buzina. Um jipe procurando por um atirador. Ora, um jipe sem atirador só serve como carona. E como é rápido!


Acho que é meu tipo favorito de veículo. O senso de equilíbrio é perfeito, cai sempre com as rodas pra baixo, tal qual um gato. Aceito entrar na metralhadora. O cara acelera e lá vamos nós.
Ele sabe dirigir? Acabou de bater numa pedra enorme no caminho. Não, ele estava dando a volta. Espera... pra onde ele vai? A base que precisamos tomar está do outro lado! Caramba, que palhaçada. Deve ser um noob brincando de carrinho. Ou alguém jogando só pela zoeira. Nada contra, mas por que me chamar, então?
Ahhhh... entendi.
Alguém escondido ali, atrás daquele muro. Vejo uma setinha vermelha apontando pra cabeça do inimigo. Nosso motorista se aproxima e, assim que eu o vejo, mando bala.
Muita bala.
O cara tinha um RPG em mãos, pronto pra atirar. Que bom que o motorista viu! Logo, o nome do jogador aparece logo à frente do meu, com um KILLED entre eles. Sempre uma boa sensação.
Vejo o nome do jogador que matei. Algo do tipo MZZL00998... minha mente imediatamente procura um nome mais simples. Ela decide que o garoto se chama Mizu 98. Isso.
Se deu mal, Mizu. Volte três casas, sim?


Logo, chegamos ao objetivo A. Há uma enorme bandeira russa ondulando quando chegamos. E, agora que chegamos, ela deveria estar baixando, mas não. Está fixa, e o A continua vermelho. Mau sinal.
Acontece rápido.
Um estouro e a tela se enche de fogo e fumaça. Alguém acertou um RPG. E como está bem escondido! Dá pra ver o rastro, mas não dá pra ver quem atirou.
Viro a metralhadora em 360°, esperando encontrar o desgraçado. Não é a primeira vez que me encontro em uma situação dessas – Costumo me sentir mais seguro dentro de um veículo, e isso é puramente sensorial. Não tem lógica alguma. Tecnicamente, nem estou dentro do veículo. Estou completamente exposto.
Espero o motorista nos tirar dali. Mais um engano. Não tem mais ninguém no volante. O cara saiu e nem avisou. Mas também, como iria avisar?
Quando percebo que não vou a lugar algum, penso em sair dali. Detesto ficar parado. E deveria ter saído bem antes.
Um único tiro nas costas me mata de vez.
Aparece a killcam do cara que me matou. Ele atirou do telhado a uns vinte metros dali. Nem foi o mesmo cara que atirou no jipe. Acompanho as decisões dele durante alguns segundos. El_MaTaDoR_SiNcErO é o nome dele. Não posso deixar de me sentir inferior a ele, de certa forma, já que ele me matou. É uma sensação de que ele treinou muito mais, com mais afinco e tem mais talento.
Se fosse a vida real, levariam horas até que meu exército recuperasse meu corpo – se sequer conseguissem recuperar. Levariam ainda mais horas para que minha mãe recebesse minhas botas e uma bandeira dobrada. Ainda mais tempo até que os parentes, atordoados, começassem a receber as notícias e comparecer ao enterro. Com o tempo, talvez minha mãe detestasse a casa vazia. Meu pai, ainda que tão pacífico, poderia se zangar com o governo que me mandou para o fim do mundo morrer por uma causa que ele sequer compartilha.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Heróis Predestinados!